Resolvi passar por aqui porque hoje é uma data que me deixa profundamente sensível, mais que o normal. Que bom comemorar o nascimento de Jesus Cristo! Quanta emoção esse simbolismo traz! Costumo dizer que o Natal é a época mágica do ano. A cidade fica mais bonita (Palmas foi exceção em 2010, melhor nem comentar), as pessoas ficam mais "verdadeiras", os sentimentos afloram.
Bem que todos os melhores sentimentos poderiam permanecer o ano inteiro, né? E que bom seria se as pessoas se mostrassem como são sem máscaras, sem se forçarem até a conversar com alguém de quem costumam não gostar no resto do ano. Pra que tanta falsidade? Tenha dó...
É, mas de repente, o Natal faz isso. Tem o poder de transformar, como nenhuma outra data é capaz. E acho que isso tem a ver com os ensinamentos que o aniversariante nos deu. Lições que nos mostram o nosso melhor, as nossas falhas, nos permite uma auto-análise. São os ensinamentos que Jesus nos deu sobre como amar ao outro como a nós mesmos. Acho que percebi isso na ceia que preparei em casa.
Como não gosto de deixar a data passar em branco, combinei com minha mãe que iríamos ter ceia, mesmo que fôssemos somente nós duas, já que os moradores da nossa casa estão quase se resumindo a nós. Convidamos dois amigos que não têm família em Palmas. Um deles é meu vizinho, que já vem há uns três ou quatro Natais. Mora só, tem um problema pessoal muito difícil. E é super gente boa. Ao sair, cumprimentou a mim e à minha mãe. Disse que é verdadeiramente grato por sempre o convidarmos para nossas ceias, pois, do contrário, ficaria em casa e só.
Foi um gesto simples, a ceia também, mas me marcou. Faz tão bem fazer o bem a quem precisa! E eu sei que isso é algo dado por Deus, esses pequenos momentos, as amizades que a gente nem sabe como são presentes, a doação, o agradecimento. Esse espírito, sim, é o Natal que eu aprendi. Não esse aí que ouço neste momento. Literalmente. Para mim, Natal é família, são os amigos, é a fé. Mas respeito quem pensa diferente, que faz de uma data tão especial uma cachaçada. Por isso, fico reclusa. Desculpem, mas não é para mim.
E falando em comemoração, me lembro de como eram os Natais da minha família, quando eu era criança, lá no Bico do Papagaio. Os irmãos da minha mãe, meus primos, meus irmãos, meus pais. Putz! Era bom mesmo... Mas as coisas mudam, a vida traz surpresas, e há muito tempo minha família não comemora um Natal junta. Falo de família papai-mamãe-irmãs-irmão-sobrinhos. Que eu me lembre, foi em 2000, em Brasília. Isso me faz falta.
Graças a Deus estamos todos vivos, um grande motivo para não deixarmos de comemorar, de alguma forma. Mas um Natal comemorado em casa somente por mãe e filha, numa família que ainda tem duas filhas, um filho, e suas respectivas famílias, não me torna a pessoa mais feliz do mundo, por mais que eu não deixe transparecer minha frustração.
O Natal é belo, os bons sentimentos aparecem, mas eu ainda não aprendi as lições de que esquecer o orgulho nos torna mais gente, de que perdoar alguém (por mais que esse alguém nunca tenha pedido seu perdão) nos torna mais leves . Esse será somente mais um Natal em que meu pai não ligará. O pior é eu ter me acostumado com isso e a fazer exatamente o que ele faz. Porque eu sou orgulhosa. Ainda. Sim, penso que isso foi um desabafo. Merry Christmas!